Neurocirurgiões recebem com preocupação novas regras para o diagnóstico de morte cerebral

A Sociedade Brasileira de Neurocirurgia (SBN) recebeu com preocupação as novas regras definidas pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), para o diagnóstico de morte encefálica para a doação de órgãos.

O CFM determinou que pacientes com suspeita de morte encefálica devem ser observados e tratados por, no mínimo, seis horas antes do exame de confirmação. Antes, o protocolo para determinar a ausência de atividade no cérebro iniciava imediatamente a partir da suspeita.

Somados os períodos, a determinação da morte cerebral só poderá ocorrer após sete horas (seis horas de observação + uma hora de exames).

De acordo com o diretor de Codificação e Defesa Profissional da SBN, o neurocirurgião Wuilker Knoner Campos, as novas regras seguem no caminho contrário da flexibilização e agilidade necessárias para que os órgãos sejam doados. “Alguns pontos da nova lei acabam por burocratizar o processo de diagnóstico de morte encefálica e, com isso, atrasar os transplantes”.

Segundo o especialista, aguardar seis horas para o início do protocolo de diagnóstico pode atrasar o procedimento para o transplante. “O processo é dinâmico e, muitas vezes, corre contra o tempo para salvar órgãos. Neste caso, um atraso pode significar a insuficiência de órgãos”.

O diretor da SBN afirma, ainda, que outro ponto polêmico nas medidas do CFM é a exigência de experiência comprovada para os médicos (incluindo neurologistas e neurocirurgiões) que devem diagnosticar a morte cerebral. “Isso também leva à burocratização. Fazer esse tipo de diagnóstico já faz parte do dia a dia de neurocirurgiões, portanto trata-se de uma medida desnecessária e descabida. Perdem os cerca de 40 mil brasileiros que estão na fila aguardando por um transplante”.


Fonte: Jornal do Brasil

Avalie este item
(0 votos)
Entre para postar comentários
Topo