Sociedade de Neurocirurgia lança corrida para alertar sobre os riscos do AVC

Rio - O acidente vascular cerebral (AVC) é a doença que mais mata no Brasil e a que mais causa incapacidade no mundo. Cerca de 70% das pessoas que sofrem um derrame não retornam ao trabalho e 50% se tornam dependentes de outras pessoas. Para alertar a população sobre os riscos desta doença, a Sociedade de Neurocirurgia do Rio de Janeiro (SNCRJ) promove no próximo dia 21 uma corrida e caminhada na orla de Ipanema. Além de informar o público, o órgão pretende estimular hábitos mais saudáveis entre os cariocas.

De acordo com Orlando Maia, organizador do evento e presidente da SNCRJ, o projeto visa chamar atenção da população diante da doença. "A corrida é uma analogia contra o tempo, pois ele é inimigo do AVC e para que se evite sequelas", explica. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), mostram que no país, as doenças cardiovasculares matam em média 300 mil pessoas por ano, alcançando uma morte a cada dois minutos.

Há três anos, a administradora Glayse Silva, 34 anos, passou por este drama na família. A mãe dela teve um AVC isquêmico. "Desde que minha mãe teve a doença vi que havia uma desinformação muito grande. Por isso resolvi vestir a camisa para alertar sobre a prevenção e tratamento e participar de eventos como esse", afirma.

PREVENÇÃO

A escolha da SNCRJ por um evento esportivo não foi à toa. Segundo os médicos, a prática de exercícios é fundamental para a prevenção do AVC, como explica Maia. "A atividade física é uma das formas de prevenção, pois assim há circulação sanguínea e de oxigênio no corpo", diz o especialista.

Após o término da corrida, o público poderá aferir pressão arterial, chegar a taxa de glicose, entre outros serviços.

SINAIS DA DOENÇA

Diante das estatísticas em que o AVC é a principal causa de mortes no Brasil, as pessoas devem ficar alertas para as possíveis condições que podem levar a doença. Para isso, é fundamental a população reconhecer os sinais da doença para evitar consequências graves e conhecer os cuidados de prevenção.

De acordo com o neurologista Marco Py, o paciente pode ter a suspeita de estar sofrendo um AVC a partir de três sinais: má simetria no sorriso, fala afetada e ao levantar os braços um pode abaixar mais rápido do que o outro. "São indicativos da doença, pois ela se manifesta causando adormecimento em partes do corpo e fraqueza", explica.

Uma vez identificada as suspeitas, a corrida contra o tempo é essencial para evitar sequelas futuras. "A pessoas deve correr para um centro especializado, pois quanto mais rápido o paciente pode ter menos chances de problemas", afirma Py.

Foi o que aconteceu com a psicóloga Bianca Rezende, 49 anos. Há nove meses, a paciente teve um derrame. "Passei mal durante uma festa e logo corri para uma clínica. Descobri lá o AVC", explica. Ela conta que a vida mudou de lá para cá. "Fiquei sem sequela graças a atuação rápida dos médicos. A partir daí, mantenho um regime constante e a atividade física começou a fazer parte da minha rotina".

FATORES DE RISCO

De acordo com o cardiologista Estêvão Martins, há pelo menos cinco fatores de risco que podem facilitar a ocorrência da doença. "A hipertensão arterial, diabetes, sedentarismo, colesterol alto e fibrilação atrial podem aumentar o risco do AVC. Por isso, é importante o tratamento e o abandono para diminuir a probabilidade", explica.

Além dos fatores para se evitar a doença, os especialistas alertam para a necessidade de uma atividade física regular. "Praticar exercício é uma condição fundamental para se prevenir, além do baixo consumo de gordura", afirma Martins.

TABAGISMO

O cigarro também ajuda a aumentar o risco de morte. Segundo um estudo divulgado recentemente pela BMJ, publicação periódica do Reino Unido, pessoas que fumam um cigarro por dia tem 50% mais chances de desenvolver doenças cardíacas e 30% mais chances de sofrer um infarto. Além de promover o depósito de colesterol na parede das artérias e a oxidação do coração, essa situação favorece a formação de coágulos que podem promover um derrame cerebral.

Para quem faz uso do cigarro, a recomendação é buscar auxílio com profissionais qualificados para abandonar o hábito. "Essa atitude pode melhorar a qualidade de vida do paciente e prevenir diversas doenças cardiovasculares, pulmonares e oncológicas", afirma o cardiologista Diego Garcia.

Fonte da notícia: O DIA (Publicado às 03h00 de 16/10/2018 )

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